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Polônia: Auschwitz-Birkenau

No outono do ano passado eu tive a oportunidade de visitar um dos campos de concentração mais famosos: Auschwitz – Birkenau. Eu sei que soa meio estranho dizer que sempre foi um “sonho” pois não é um lugar feliz, mas eu sempre fui muito interessada pela história das guerras e pelo nazismo. Quando visitei Amsterdam alguns anos atrás fui na casa da Anne Frank, e essa vontade de um dia visitar um campo de concentração, só aumentou. Eu me senti muito privilegiada de ter essa oportunidade, pois acredito que todo mundo deveria um dia sim fazer uma visita dessas para que certas coisas na história nunca se repitam.

Quando decidimos visitar a Cracóvia, a primeira coisa que perguntei pra Taís era se ela queria visitar Auschqitz também. Logo compramos os ingressos que ficou cerca de 11 euros por mais de 4 horas de tour, achei até barato pois o tour realmente é sensacional.

A visitação é dividida em dois campos: Auschwitz I e Auschwitz II – Birkenau. Os dois campos ficam um pouco distantes um do outro, e é preciso pegar um ônibus entre eles. Começamos a visita pelo famoso portão com a frase “o trabalho liberta” que já é um soco no estômago com a ironia disso, por saber de tudo o que aconteceu naqueles prédios. O conjunto de prédios de Auschwitz I, hoje em dia é um museu. Começamos a visita com algumas informações sobre a quantidade de pessoas que passara, por ali, de onde eram, listas de prisioneiros, etc… daí começa uma das partes mais tocantes: toneladas e toneladas de objetos encontrados quando o campo foi abandonado. Tem objetos pessoais como sapatos, roupas, malas, brinquedos… todos os pertences que eram tomados dos prisioneiros assim que eles chegavam aos campos. Vamos passando de sala em sala até em que chegamos a uma que tem toneladas de cabelo humano, estes que eram usados para fabricar tecido ou como enchimento de travesseiros e almofadas. Não é permitido fotografar ou filmar nessa parte. A sensação de estar num lugar desse é indescritível.

Depois disso passamos por mais alguns prédios onde pudemos ver como eram as acomodações, quartos e banheiros. Durante todo o tempo o guiva vai explicando como as pessoas viviam ali. O que comiam, suas rotinas, o que vestiam… até que chegamos ao prédio que era a prisão e onde as pessoas que tentavam fugir eram mandadas. Lá também existe a parede onde os prisioneiros eram assassinados e onde hoje em dias os visitantes deixam flores e homenagens. No final dessa parte, visitamos a única câmara de gás que ainda existe no complexo. Essa câmara comportava cerca de 300 pessoas por dia e tivemos a oportunidade de visitá-la. As outras câmaras, assim como muitos prédios foram destruídos pelo exército alemão como queima de arquivo. O tempo todo durante o tour ficamos em silêncio como forma de respeito ao tudo que aconteceu por ali.

Então pegamos o ônibus para a segunda parte da visita. O dia já estava começando a escurecer e estava muito frio e garoando. O campo de Birkenau foi construído pois o primeiro campo não estava mais dando conta de tantos prisioneiros que chegavam. Em Birkenau ficavam os barracões com “camas”, se é que podemos chamar assim, onde acomodavam principalmente as pessoas que não eram escolhidas para trabalhar, ou seja, só aguardavam para serem exterminadas. Mas principalmente, Birkenau é onde ficavam as câmaras de gás que comportavam cerca de 2.000 pessoas cada. Hoje em dias só é possível ver os escombros. Começamos a caminhar pelos trilhos, após atraverssar os icônicos portões, e onde ainda existe um dos trens que traziam os prisioneiros. Bem ao final do campo, depois de uns 15 minutos de caminhada existem placas em homenagens a todos os prisioneiros que por ali passavam em suas mais diversas línguas. Então visitamos alguns escombros e também um dos barracões onde as condições eram bem precária: escuro, frio, sujo. É muito chocante em pensar como as pessoas sobreviviam ali, com fome, doentes, com medo. Em como seres humanos tiveram coragem de construir um lugar desses, tudo em nome da “raça pura”. O tour termina com o guia fazendo algumas reflexões sobre o período do nazismo e nos agradecendo por visitarmos já que são os visitantes que fazem o lugar ainda existir. Voltamos todo para o ônibus em silêncio e muito pensativos.


Como eu disse, não é uma visita agradável. É um soco no estômago mas ao mesmo tempo acho muito importante sabermos o que aconteceu lá. Esse também foi o dia que elegemos nosso novo presidente, o que ao meu ver, só fez ficar tudo mais intenso. Ainda quando penso nesse dia acho difícil acreditar que pisei nesse lugar.

“The one who does not remember history is bound to live through it again”

1 Comment

  1. BA MORETTI

    February 14, 2019 at 12:35 am

    sempre que leio posts sobre auschwitz fico meio angustiada. e quase como se a energia de um lugar desse fosse tão, mas tão intensa que ela chega a transbordar em qualquer meio que se fale sobre isso. impossível não se pegar reflexiva sobre o assunto, impossível.
    quem sabe um dia, se eu for pra esses lados, eu me permita passar por essa experiência também. pra não deixar morrer, não deixar ser esquecido.

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